Borbulhart na Mídia

Entrevista na Revide Vip

Bonecas quase reais

No Brasil a arte reborn teve seu espaço garantir a partir de 2006

Criada na Inglaterra na época da Segunda Guerra Mundial, a arte reborn — uma técnica que transforma um simples molde em bebês quase reais — vem se aperfeiçoando e ganhando novos admiradores em todo o mundo.

Os maiores artistas estão na Europa e nos Estados Unidos, mas aqui no Brasil desde 2006, algumas pessoas começaram a trabalhar com esta arte.

É o caso da artista plástica Eliane Fátima de Oliveira Franco Saráo, que sempre foi apaixonada por arte e atualmente trabalha com o bebê reborn. “Apaixonei-me pela arte reborn desde o primeiro contato, devido principalmente a riqueza de detalhes, ao realismo e ao perfeccionismo, desde então, comecei a pesquisar em sites e pouco depois pude fazer um curso com uma artista reborner renomada Suely Ujimori e me aperfeiçoar nesta técnica”, revela.

Utilizando procedimentos avançados de pintura, é possível dar uma pele aveludada, veias, marcas de nascença, cílios e brotoejas semelhantes à pele de um bebê. Além do cheiro, peso e lágrimas que são características de uma criança de verdade.

Para que o boneco fique com aspecto real, é realizado um processo que exige muito tempo e dedicação. Durante a construção do bebê, Elaine utiliza moldes importados, tintas específicas e vários detalhes como estrutura maleável, fios dos cabelos enraizados fio a fio e até marcas de picadas de pernilongo.

Segundo a artista plástica, produzir um bebê é ver a arte reborn renascer a cada dia. “Quando fiz meu primeiro bebê fiquei emocionada e encantada, o resultado é um boneco molinho como um bebê de verdade”.

No Brasil, existem vários mercados em que os bebês reborn podem ser utilizados, como hospitais, para os cursos de gestante; universidades para as aulas de Medicina e Enfermagem; lojas de roupas infantis, como manequins de vitrine; e espetáculos teatrais. Porém, o público alvo têm sido os colecionadores de bonecas, crianças e principalmente mulheres adultas que apreciam a arte.

A estudante Eloísa Oliveira Buzelli de 11 anos está ansiosa aguardando a produção do seu bebê reborn. “Sempre quis ter um bebê reborn e quando soube que posso escolher cada detalhe fiquei muito feliz. Enquanto ele não fica pronto vou preparando tudo, o bercinho, as roupinhas, as fraldas. Ser mamãe dá muito trabalho”, conta à estudante que escolheu uma boneca com olhos e cabelos castanhos.

Elaine acrescenta que no exterior os bebês reborn também têm sido utilizados em tratamentos médicos para depressão, síndrome do pânico e Alzheimer. Já no Brasil, o boneco ainda provoca as reações mais adversas. “Sair com um bebê reborn no colo é impossível não chamar a atenção, o fato de carregar o boneco desperta os mais variados sentimentos de ternura, de admiração, de espanto, de aflição, e chegam até emocionar pessoas”.

A artista plástica acredita que adquirir um bebê reborn é realizar um desejo, e que a semelhança entre o boneco e o bebê real não deve influenciar na vida da pessoa. “O que não pode é acreditar que a fantasia é a verdade, é preciso estar atento. O que deve acontecer com o reborn é o mesmo que acontece com um carro, uma casa, uma joia, você compra, paga e cuida para nunca estragar. Um reborn é um mimo, mas um mimo saudável”, frisa Elaine.

Para garantir a maior durabilidade do bebê reborn é preciso que ele seja devidamente preservado de acordo com as informações que são passadas no momento da entrega do reborn.

Em breve Elaine irá ministrar um curso onde as futuras mamães reborn poderão fazer seus bebês, e ao sair do curso terão direito ao boneco, enxoval e certidão de nascimento. “É gratificante, eleva a auto-estima, uma terapia e tanto”, conclui a artista plástica.

Revide On-line

Texto: Pâmela Silva

Fotos: Cristiane Oliveira Buzelli

* Publicado em 27/07/2012

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